20 de nov de 2018

Mostra de Cinemas Africanos traz 20 filmes do continente negro a Salvador


Muitos inéditos no Brasil e todos exibidos pela primeira vez na Bahia, filmes apresentam a diversidade estética e narrativa da cinematografia africana
Banido no Quênia e ovacionado em Cannes, o longa “Rafiki” é um dos destaques da mostra

Com curadoria de Ana Camila Esteves (Brasil) e Beatriz Leal Riesco (Espanha/ Estados Unidos), a Mostra de Cinemas Africanos acontece pela primeira vez em Salvador, de 22 a 28 de novembro, no Cinema do Museu do circuito Saladearte. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). A mostra reúne 20 filmes de curta e de longa-metragem dos cinemas africanos contemporâneos, muitos inéditos no Brasil e que serão exibidos pela primeira vez na Bahia. Dirigidos por cineastas de países como Senegal, Sudão, África do Sul, Nigéria e Quênia, os filmes variam entre ficção e documentário. A programação conta também com cinco sessões comentadas por especialistas em cinema, África e temas afins à mostra. Chance rara de conhecer e discutir uma cinematografia vibrante e diversa em temáticas, paisagens e estéticas.



O recorte curatorial atende à demanda por proporcionar espaços de exibição no Brasil de filmes recentes produzidos na África nos últimos cinco anos, bem como promove o contato do público com as estéticas e narrativas presentes numa cinematografia quase completamente desconhecida do público brasileiro. A decisão por promover a primeira edição em Salvador deriva principalmente da conexão da cidade com o continente africano e a necessidade de promover atividades e eventos que permitam a uma população, ela mesma oriunda da diáspora, o conhecimento de estéticas e modos de vida inseridos em experiências africanas do/no presente. Em dezembro a mostra segue para Porto Alegre.
NOITE DE ABERTURA
A mostra abre dia 22 de novembro às 18h30 com o filme "Rafiki", o primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher no Quênia, a cineasta Wanuri Kahiu, e o primeiro filme a representar o país no Festival de Cannes no início deste ano. Banido no seu país de origem, onde a homossexualidade é crime, o filme conta a história de amor entre duas adolescentes. A sessão contará com a presença de Taís Amordivino e Loiá Fernandes, realizadoras da Cinequebradas, evento que busca dar visibilidade a filmes realizados por e para mulheres negras LBTQs (Lésbicas, bissexuais, Transsexuais e Queer), para um bate-papo pós-sessão. Outro longa que tem rodado por muitos países e estreia no Brasil através da mostra é o “Supa Modo”, do diretor queniano Likarion Wainaina. A narrativa conta a história de Jô, uma jovem que sofre uma doença degenerativa e sonha em se tornar uma heroína. Como tentativa de realizar o seu desejo, toda a vila onde a jovem mora trama um plano genial na qual ela será a protagonista.
A Mostra de Cinemas Africanos tem parceria com o Instituto Francês, o New York African Film Festival (NYAFF, que em 2018 completou 25 anos), o FESTiFRANCE e o Wallay - Barcelona African Film Festival, além da Cinemateca Francesa e do Instituto Francês. Realização da Ana Camila Comunicação & Cultura e do Circuito SALADEARTE.

SERVIÇO
Mostra de Cinemas Africanos | edição Salvador
De 22 a 28 de novembro de 2018
Na SALADEARTE Cinema do Museu
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

PROGRAMAÇÃO

DIA 22/11 (quinta-feira)
18h30 - "Rafiki", de Wanuri Kahiu (Quênia, 2018)
* Exibição do curta "Amor de Orí", de Bruna Barros
* Bate-papo pós-sessão: Por um cinema negro, feminino e LBTQ, com a Cinequebradas
20h40 - "Wallay", de Berni Goldblat (Burkina Faso/França, 2017)

DIA 23/011 (sexta-feira)
18h30 - "No ritmo do Antonov", de hajooj kuka (Sudão, 2014)
* Bate-papo pós-sessão: Estéticas da (r)existência em regiões de conflitos
20h30 - "Martha & Niki", de Tora Mårtens (Suécia, 2016)

DIA 24/11 (sábado)
18h30 - "Fronteiras", de Apolline Traoré (Burkina Faso, 2017)
20h30 - "Supa Modo", de Likarion Wainaina (Quênia, 2018)

DIA 25/11 (domingo)
18h30 - "Vaya", de Akin Omotoso (África do Sul, 2016)
20h30 - "Rafiki", de Wanuri Kahiu (Quênia, 2018)

DIA 26/11 (segunda-feira)
18h30 - "Supa Modo", de Likarion Wainaina (Quênia, 2018)
20h - Programa de curtas 1: parceria FestiFrance
* Bate-papo pós-sessão: Vivências diaspóricas e diferença

DIA 27/11 (terça-feira)
18h30 - "Rafiki", de Wanuri Kahiu (Quênia, 2018)
20h - Programa de curtas 2: parceria New York African Film Festival
* Bate-papo pós-sessão: O cinema e as experiências de infância e juventude no sul global 

Dia 28/11 (quarta-feira)
18h30 - "Solte a voz", de Amandine Gay (França, 2018)
* Bate-papo pós-sessão: Representatividade feminina negra: desdobramentos entre África e Brasil

INFORMAÇÕES À IMPRENSA:
Ana Camila Comunicação & Cultura
Jornalista responsável: Gisele Santana
jornalismo.gi@gmail.com
(71) 98872-5492 (OI) / 99234-2581 (TIM) 

EIXO CURATORIAL
Se o acesso aos clássicos do cinema africano é pequeno e recente, o mesmo ocorre com a produção contemporânea do continente, que vem se destacando pela singularidade de suas tramas, seus formatos, o alcance de suas mensagens e os trânsitos e a fluidez entre os gêneros narrativos, enquanto se afirma em termos autorais de forma autônoma. Os títulos escolhidos pelas curadoras para compor a mostra dá especial destaque a três eixos temáticos-narrativos:
·         Universo da mulher: a produção feminina no continente africano é destaque na programação, com os longas “Rafiki” (Quênia, 2018, de Wanuri Kahiu), “Solte a voz” (França, 2018, de Amandine Gay) e “Fronteiras” (Burkina Faso, 2017, de Apolline Traoré). Não só dirigidos por mulheres, mas que trazem à tona os dilemas da mulher negra na sociedade contemporânea, um gancho importantíssimo entre África e Brasil.
·         Universo da infância: longe de serem filmes para crianças, a curadoria selecionou filmes que tratam do universo infantil a partir de um olhar de cuidado e muita sensibilidade para as angústias e tropeços da vida de crianças negras na África e na diáspora. “Supa Modo” (Quênia, 2018, de Likarion Wainaina) e “Wallay” (Burkina Faso, 2017, de Berni Goldblat) são os longas que representam este eixo, enquanto uma sessão de curtas do Senegal, Burkina Faso e Quênia se desdobra em sensíveis abordagens da infância.
·         Ativismo e micropolíticas: ainda que os dois eixos acima possam ser considerados micropolíticos em seus ativismos, a curadoria selecionou alguns títulos que mostram ao público brasileiro como os africanos lidam em seu cotidiano com situações de vulnerabilidade. Longas como “Vaya” (África do Sul, 2016, de Akin Omotoso) e “No ritmo do Antonov” (Sudão, 2014, de hajooj kuka) apresentam narrativas realistas sobre seus respectivos países, além de outros curtas e longas que oferecem um panorama dos dilemas contemporâneos da vida em diferentes regiões do continente.


FICHA TÉCNICA
Realização: Ana Camila Comunicação & Cultura
Produção: Ana Camila e Gabriela Almeida
Curadoria: Ana Camila e Beatriz Leal
Programação: Ana Camila e Marcelo Sá
Curadoria das mesas de debates: Gabriela Almeida
Apoio: Instituto Francês e Cinemateca Francesa, New York African Film Festival, FESTiFRANCE e Wallay - Barcelona African Film Festival.

Ana Camila Esteves
Jornalista, produtora, curadora e pesquisadora. É idealizadora da Mostra de Cinemas Africanos. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA, onde desenvolve pesquisa sobre as narrativas urbanas nos cinemas africanos contemporâneos. É sócia-fundadora da agência Ana Camila Comunicação e Cultura, que desenvolve projetos de produção cultural na Bahia e em outros estados, além de prestar serviços de assessoria de comunicação, planejamento de projetos, gestão executiva e financeira. www.anacamila.com

Beatriz Leal Riesco
Historiadora da arte, curadora e pesquisadora espanhola, se dedica às artes visuais e aos cinemas africanos. É autora de diversos artigos sobre história e teoria do cinema publicados em revistas como Revista de Historia de Cine, Film-Historia e African Screens, além de organizadora de publicações e cursos sobre cinemas periféricos. Vive entre a Espanha e os Estados Unidos, onde é programadora do New York African Film Festival. Ministra conferências sobre os cinemas africanos e produziu ciclos de cinema na Dinamarca, República Tcheca, Itália, além de países do Oriente Médio e da própria África. É crítica de cinema e uma das autoras do blog África no es un país, do jornal El País. www.beatrizleal.com

TEXTO DA CURADORIA
Pela primeira vez em Salvador apresentamos uma seleção de filmes africanos representativos da riqueza cinematográfica da África e sua diáspora. Com o objetivo de abrir uma janela de exibição para a imensa criatividade africana e minimizar a inaceitável ausência destas cinematografias nas salas comerciais e nos canais de difusão de filmes no Brasil, reunimos cerca de vinte filmes de dez nacionalidades diferentes e com ênfase na produção contemporânea. Os longas de ficção, documentários e curtas-metragens que compõem a mostra são obras inovadoras e de entretenimento que demonstram tanto a maestria dos seus realizadores como a capacidade comunicativa de gêneros tão diversos como o melodrama, o thriller, a comédia e a experimentação.
O impacto das novas tecnologias e da indústria nigeriana (Nollywood) reconfigurou o mundo do audiovisual africano, permitindo a novos e originais agentes o acesso aos meios de produção. Neste momento excitante, queremos render tributo à mudança geracional produzida desde o início do século XXI em narrativas, histórias, protagonistas e indústrias cinematográficas africanas em países como Burkina Faso, Senegal, África do Sul, Nigéria e em especial o Quênia, país com destaque na nossa programação. A juventude com seus anseios, as realidades do cotidiano, desenganos e aspirações, o espaço urbano, os deslocamentos, o crescente papel da mulher à frente e detrás das câmeras, o universo da infância, os conflitos e suas subjetividades - todos estes são fios condutores a uma viagem de descoberta pela África e sua diáspora através do melhor dos seus cinemas.
Esta mostra é dedicada ao professor Mahomed Bamba, falecido em 2015, apaixonado pelo cinema e pesquisador dos cinemas africanos e da diáspora. Foi através de Bamba que nos conhecemos, e sem dúvida tudo o que fazemos juntas é um desdobramento do seu legado como professor, pesquisador e amigo querido. Esta mostra se potencializa com a sua presença imensa.

Ana Camila e Beatriz Leal

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