5 de out de 2016

Vou assim desenhando nas nuvens


Vou assim... Desenhando nas nuvens
As formas de te ver no meu céu
Traço carruagens
Pontes, estradas... Um laço... Um nó
Que vão se desmanchando,
E pouco a pouco me deixam só...
Com o céu limpo sem nuvens, sol, estrelas ou lua...
Só o espaço vazio,
A pele nua...
Um coração arredio,
A boca seca e na garganta um nó,
Pois tu acendeste em mim o pavio
D'um fogo que de mim toma conta...
Enquanto que você nem se dá conta
De que já sou tua.
O querer é assim...
É muda que no peito brota
E quanto mais cresce mais nos torna muda
Pois meu amor é flor murcha
Se acaso tu não nota,
Que cada nota do meu cantar
É teu nome que denota
O rimo e "desrimo" de meu ritmar...
Meu coração é feito canteiro
Que canta para o mundo inteiro
Como é triste o meu amar...
Pois sem você minha flor
Tudo é tão pálido, incolor...
Só existe espaços vazios e despudor.
Sigo criando caminhos para encontrar você
E em meus braços não ter mais espaços,
Enfim ter você...
E meu corpo livre sem arreios
No teu corpo entrelaçar
Tal quais as raízes do tempo
Que nem por um momento
Fazem-me em ti não pensar.

Ilma Rodrigues Andrade



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