6 de out de 2016

SONETO DO CACAU SEM LÁGRIMA




Essa dor é sem lágrima, sem mar,
embora o mar bordeje aquelas beiras.
É uma dor sem chuva, nem molhar
o imaginário estio: pedra e poeira.

Ilhas do étimo, ilhéus de dicionários,
é tudo inverossímil: corredeiras
não mais prosperam, e dos Milionários
já nem é bem a Praia, mas a areia.

Há todo um mar ocluso na paisagem
do cacau, amêndoa que se purga
sem maresia, acidulando a aragem.

Há grossos rios que vão morrer na curva.
Se um porto seca, sem matalotagem,
não chore a safra: não invente chuva.


Colaboração: Silvério Duque 

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