Foto: Dai Thais
Carla Visi no show de lançamento no TCA
Quem
leu o meu texto “Shows-tributos” e
(des)homenagens alheias, publicado aqui no portal Terra de Lucas, pode ter
ficado com a impressão de que eu detesto tributos. Não é verdade. O que eu não
gosto é de iniciativas caricatas e sem personalidade, cujo fim é puramente
mercantilista, sendo a memória do pretenso homenageado um mero pretexto. Sob
essa lógica, verdadeiras picaretagens já foram lançadas, nivelando o público
direcionado a verdadeiros acríticos nostálgicos. Por outro lado, alguns
tributos de grande bom gosto se fazem dignos de respeito e até reverência, a
exemplo do mais recente álbum de Carla Visi, o ótimo Pura Claridade (2013), uma homenagem a mais baiana das mineiras da
Música Popular Brasileira: a diva Clara Nunes.
A
soteropolitana “da gema” Carla Virgínia Soares Fernandes, iniciou sua carreira
artística ainda jovem e no ano de 1990 assumiu a responsabilidade de assumir o
posto de Daniela Mercury na banda Companhia Clic, com quem lançou três álbuns.
Em 1995, integra a banda Cheiro de Amor, onde permaneceu até 2000. Desde então,
em sua carreira solo, Carla Visi, dona de uma voz doce, forte e afinada, vem
alicerçando seu repertório baseado nas suas influências musicais, revelando seu
ecletismo e versatilidade, a exemplo do álbum Carla Visi visita Gilberto Gil, de 2001 (conferir abaixo).
Em relação ao Pura Claridade, alguns detalhes que serão explanados a seguir se
fazem imprescindíveis. Clara Nunes é uma das artistas brasileiras mais
homenageadas através de “álbuns-tributos” e “shows-tributos”. Porém, a grande
sacada para um tributo bem-feito não é “imitar” o artista homenageado e sim
imprimir a personalidade própria de quem homenageia em cima da arte do
tributado. Esse é o verdadeiro sentido da reverência. Nesse requisito, Carla
Visi está de parabéns: ela conseguiu imprimir sua personalidade vocal própria
nas canções eternizadas pela “guerreira”, cujos arranjos originais foram
mantidos praticamente intactos.
Ao todo são 17 faixas que contemplam toda a discografia de Clara Nunes, incluindo hits como Você Passa Eu Acho Graça, Tristeza Pé No Chão, E Baiana, O Mar Serenou, Canto das Três Raças, Coração Leviano e Morena de Angola. Carla conta ainda, neste novo trabalho, com seis participações especiais: a sertaneja Paula Fernandes em Dia de Esperança; Thiaguinho em Tristeza pé no chão; Péricles em Canto das Três Raças; Xande de Pilares (do grupo Revelação) em Coração Leviano; Daniela Mercury em Morena de Angola (um dos melhores momentos do álbum); e Pinha em Ê baiana.
Ao todo são 17 faixas que contemplam toda a discografia de Clara Nunes, incluindo hits como Você Passa Eu Acho Graça, Tristeza Pé No Chão, E Baiana, O Mar Serenou, Canto das Três Raças, Coração Leviano e Morena de Angola. Carla conta ainda, neste novo trabalho, com seis participações especiais: a sertaneja Paula Fernandes em Dia de Esperança; Thiaguinho em Tristeza pé no chão; Péricles em Canto das Três Raças; Xande de Pilares (do grupo Revelação) em Coração Leviano; Daniela Mercury em Morena de Angola (um dos melhores momentos do álbum); e Pinha em Ê baiana.
Video: Dai Thais
Abertura do show de lançamento do Pura Claridade no TCA
Edição de trechos do show de lançamento.
Foto: Dai Thais
Outro detalhe: quando um “álbum-tributo”
cumpre realmente seu papel, o ouvinte sente logo o desejo de ouvir o artista
homenageado após o fim da audição. A primeira reação que eu tive quando terminei
de ouvir integralmente o Pura Claridade
pela primeira vez (devo já ter escutado umas cinco vezes, pelo menos) foi pegar
meus vinis da “guerreira” e ouvi-los seguidamente. Creio que muitos ouvintes
tiveram a mesma reação que eu tive.
Para finalizar, uma “direta” para Carla Visi:
“Sempre apostei que seu timbre vocal casava muito bem com o samba. Assim sendo,
logo após a minha última audição do Pura
Claridade, saí também “à caça” de sambas da velha guarda interpretados por
Zé Keti, Martinho da Vila, Dicró, Bezerra da Silva, Roberto Ribeiro, dentre
outros. Daí me questionei: ‘seria uma boa sacada a Carla Visi gravar um álbum
somente com releituras de sambas da velha guarda?’”. Fica a minha dica!
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Henrique Magalhães
Biólogo, professor, pesquisador e colecionador de discos de vinil.





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