A produção feirense abre sua trajetória pelo circuito de festivais, levando à telona questões como angústia, masculinidade e medo da morte | Foto: Edvaldo Raw
A
estreia de “Carranca” já entrou para a história do cinema
feirense com uma conquista. O curta-metragem dirigido por Daniel Sal
recebeu o prêmio de melhor ator para Tom Nascimento, na noite de 22
de agosto, durante o 13º Festival de Cinema de Caruaru. A produção
foi exibida na competitiva nacional e recebeu muitos aplausos do
público.
Tom
interpreta Vado, um homem negro de 50 anos que tem a vida atravessada
por um diagnóstico neurológico próximo ao Réveillon. Diante da
possibilidade da própria finitude, ele mergulha em medo, angústia e
fragilidade. A atuação sustenta um personagem marcado pelo silêncio
e pela dificuldade de lidar com a própria vulnerabilidade.
“Vado
é um homem moldado por uma estrutura de masculinidade e machismo
que, de repente, se vê diante da própria finitude e não sabe como
enfrentar essa vulnerabilidade. Meu trabalho foi mergulhar nesse
universo emocional e dar corpo a essa fragilidade escondida”,
explica o ator.
Ao
lado de Tom, Karina de Faria e Rose Irene Visitação integram as
relações afetivas e os conflitos íntimos da narrativa, enquanto
Dailton Mota assume o antagonismo. Embora o prêmio seja individual,
a conquista é resultado do trabalho de toda a equipe de Carranca.
Para Daniel Sal, o reconhecimento confirma a escolha do ator para
protagonizar a obra e representa um motivo de orgulho diante do
resultado alcançado na estreia.
Produzido pelas Menino Amarelo Filmes e Palenque filmes, sob produção de David Aynan, Carranca foi realizado em Feira de Santana e leva para a tela questões ligadas à saúde, masculinidade, autocuidado e medo da morte. O filme transforma a experiência particular de Vado em uma reflexão sobre homens socializados para suportar a dor em silêncio.
O
troféu de melhor ator para Tom Nascimento marca a estreia
competitiva de Carranca e se torna também um reconhecimento à força
do cinema produzido na cidade. “Esse prêmio simboliza a coroação
de mais de duas décadas dedicadas ao teatro e marca minha recente
incursão no cinema. Carranca, meu segundo curta-metragem, chegou
como um presente, conduzido pela direção apurada de Daniel Sal e
enriquecido pelas parcerias de cena e pela dedicação de toda a
equipe. Por isso, considero que o prêmio é coletivo: mais do que
uma conquista pessoal, ele reafirma o valor do nosso trabalho e a
potência do cinema feito em Feira de Santana”, celebra Tom.
Ao estrear premiado em Caruaru, Carranca não apenas abre caminho nos festivais, mas reafirma a força das histórias nascidas em Feira de Santana, capazes de atravessar telas, públicos e gerações. A conquista de Tom Nascimento consagra também a cidade como território fértil de criação, onde cada obra se torna um ato de afirmação cultural e de esperança, projetando o cinema feirense para novos horizontes.
Enviado por Elsimar Pondé


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