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7 de jul. de 2021

#TerradeLucasInformação - Escolinha Maria Felipa inova ao ofertar aulas para crianças de outros estados

 

Em meio a pandemia, referência em educação antirracista e decolonial, Escolinha Maria Felipa inova ao ofertar aulas para crianças de outros estados | Fotos: Paula Fróes (Correio)


Que o sistema educacional mundial precisou de adaptar diante a pandemia do Covid-19 é evidente, o ensino passou a ser remoto/digital e, em alguns países híbridos - digital e presencial. Mas, uma escola privada de educação infantil de Salvador, referência e única no Brasil a oferecer uma educação com metodologia totalmente antirracista, afro-brasileira, afrocentrada e decolonial, inova mais uma vez e abriu matrículas para crianças de outros Estados.

 

É a Escolinha de Educação Infantil Afro-brasileira Maria Felipa, que além das novidades acima é um colégio trilíngue - português brasileiro, inglês e libras - com um corpo docente diverso com pessoas, mulheres e homens cis, hetéros, gays e trans. Com a pandemia, pais de outros Estados procuraram a Escola e a reestruturação para o digital possibilitou que a educação infantil com base antirracista ultrapassasse a distância e alcançasse ainda mais pessoas para uma formação emancipadora.

 Através de afroperspectivas, a escola que deseja espalhar pelo Brasil a educação que acredita ser a revolução necessária para formar pessoas igualmente potentes e conscientes, conseguiu alcançar 04 alunos das cidades de Porto Alegre (RS), Aracaju (SE), São Paulo (SP) e Rio Grande do Norte (RN) e tem experimentado o fomento coletivo à famílias de outros estados que desejam educar suas crianças fora da dimensão brancocêntrica, cis e heteronormativa.

 

“Nós [ eu e minha esposa ] escolhemos a Maria Felipa para que o nosso filho possa trabalhar com a verdade, sem ser formado com omissão das nossas histórias, elucidando como tudo de fato aconteceu. Essa é a importância, são condições de empoderar nosso filho, inclusive no respeito à diversidade, escolhas e orientações das pessoas”, dividiu Erik Bernardes, pai de Vicente, aluno que mora na cidade de Porto Alegre - Rio Grande do Sul. 

 

Rompendo as barreiras dos sistemas de opressão social, que hierarquizam pessoas pela sua raça, cor da pele, gênero, orientação sexual e outros aspectos que fomentam violências e desigualdades, a instituição pretende partilhar com todo o Brasil a construção de um futuro onde os símbolos, memória e as particularidades culturais afroindígenas sejam mais vivas, potentes e acolhidas a partir do posicionamento consciente das crianças.

 

Para Bárbara Carine, idealizadora e consultora pedagógica da Maria Felipa, todas as

famílias, crianças e demais pessoas de outros Estados são bem-vindas. "São famílias que entendem que não podemos mais educar nossas crianças para um padrão que oprime, exclui e hierarquiza pessoas pela sua raça, cor da pele, gênero, orientação sexual, para diversos aspectos que fomentam esses sistemas de opressão da sociedade", afirmou Bárbara.

 

À distância, em aulas online, que passaram a fazer parte da rotina de milhares de estudantes brasileiros, as crianças têm acesso a uma perspectiva decolonial, que visa a reversão dos padrões que estão centrados nas noções de beleza, civilização, intelectualidade, religião, da história única narrada nos espaços escolares, em uma educação que não contempla meramente as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que prevêem o ensino de cultura e história africana, afro-brasileira e indígena em toda extensão da escola básica, mas que pauta a história brasileira de maneira igualitária.

 

“A revolução que queremos parte de uma formação emancipadora, que liberta, sendo equânime, reconhecendo todas as pessoas envolvidas no processo como protagonistas de suas próprias histórias e como pessoas igualmente potentes e essa revolução cabe a todo o país”, afirma Maju Passos, sócia e mãe de um dos alunos da escola.

 

A escola está com matrículas abertas para o segundo semestre desde 28 de junho - e segue durante todo o ano letivo, para crianças e famílias que desejam partilhar e dividir novas práticas de educação, que unem ao currículo estabelecido na Base Nacional Comum Curricular às perspectivas decolonial, afro-brasileira, antirracista e afrocentrada.

 

Para Erik Bernardes, a experiência do Vicente tem sido muito positiva. “Temos percebido que o aprendizado dele reflete em todos nós enquanto família em um contexto em que nos sentimos representados/as”, completou o pai.


Fonte: Nsanga Comunicação

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