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6 de jun de 2019

Google vai financiar com até US$ 250 mil projetos jornalísticos digitais inovadores na América Latina

Meios jornalísticos da América Latina vão ter a chance de ter projetos digitais financiados com até 250 mil dólares por meio do Innovation Challenge (Desafio da Inovação, em tradução livre), programa de fomento ao jornalismo digital da Google News Initiative (GNI) que acaba de chegar à região, segundo anunciou a empresa.
O anúncio da chegada do programa à América Latina foi feito nesta quinta-feira, 6 de junho, na edição de 2019 do evento Google for Brazil, realizado anualmente pela empresa em São Paulo desde 2017.
Os Innovation Challenges promovem rodadas regionais de financiamento para “empoderar inovadores das notícias ao redor do mundo a demonstrar novas maneiras de pensar o jornalismo online e o desenvolvimento de novos modelos de negócios de publicação”, segundo explica sua página.
Depois de passar por Ásia-Pacífico, onde está financiando 23 projetos em 14 países, e de abrir inscrições para meios de países da América do Norte, o programa chega à América Latina para investir parte dos US$ 30 milhões que serão distribuídos ao longo de dois anos a projetos de todo o mundo.
Marco Túlio Pires, líder do Google News Lab no Brasil, disse ao Centro Knight que os Innovation Challenges são estruturados ao redor de temas em cada região. Enquanto na Ásia o foco foi em “reader revenue”, ou receita advinda dos leitores, e na América do Norte o foco será no jornalismo local, na América Latina o programa vai financiar “projetos de jornalismo que apresentem novos modelos de negócio e novos produtos jornalísticos”.
“Os temas são decididos após diversas conversas com associações locais, jornalistas e donos de empresas para entender qual é o tema mais relevante para o momento naquela região”, explicou. “Todo tema é importante no jornalismo, mas temos que priorizar alguma coisa e, levando em consideração o cenário do jornalismo hoje na América Latina, entendemos que novos modelos de negócio e novos produtos jornalísticos são um bom primeiro passo para esta edição do desafio na região.”
Podem inscrever projetos desde microempreendedores – contanto que sejam pessoas jurídicas – até grandes organizações do jornalismo de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Não são elegíveis propostas de Cuba, devido ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos ao país, e Haiti, por não ter espanhol ou português como idioma oficial.
Apenas serão financiados projetos de jornalismo digital, ressaltou Pires. “Não vamos financiar um projeto que queira imprimir revistas, por exemplo. O componente principal do projeto precisa ser digital”, observou. As propostas também devem prever que os projetos serão executados em um ano.
A colaboração é um dos fatores que serão considerados pela equipe de avaliação das propostas, disse ele. “Se o projeto for colaborativo entre várias organizações ou jornalistas, ele possivelmente vai ganhar mais pontos, porque queremos fomentar a colaboração”, afirmou.
Outros fatores são impacto no ecossistema jornalístico (“que novidade o projeto está trazendo para o ecossistema como um todo”), viabilidade (“o quão viável é o projeto em relação à visão apresentada na proposta”) e inspiração (“se é um projeto inspirador que pode prover lições a outras organizações”).
Pires também observou que “as propostas vencedoras vão descrever com clareza o componente de sustentabilidade do projeto e como a organização pretende compartilhar os aprendizados depois que o projeto for realizado”.
Cada projeto poderá receber até 250 mil dólares, mas o programa só vai financiar 70% do valor total, disse Pires. Os outros 30% devem ser fornecidos pela organização responsável.
“Mesmo que um projeto custe US$ 250 mil, a gente só vai investir 70% desse valor. Quem submeter um projeto vai ter que mostrar certo comprometimento, também em forma de investimento”, explicou ele. “Isso não quer dizer que a organização vai precisar desembolsar esses 30% em espécie; eles podem ser demonstrados na planilha de custos em, por exemplo, horas de trabalho da equipe.”
As inscrições já estão abertas em inglêsespanhol e português, e vão até o dia 22 de julho. Embora as informações sobre o programa estejam disponível nos três idiomas, as inscrições devem ser feitas em inglês. “Este é um pré-requisito que vale para todas as regiões do planeta e tem a ver com a nossa capacidade de poder ter uma equipe de avaliação que seja mais diversa”, explicou Pires.
A avaliação é realizada em duas etapas: a primeira é feita por uma equipe de funcionários da Google, liderada por Pires na América Latina, que faz uma triagem de elegibilidade das propostas. Essa equipe faz um resumo do projeto com uma lista de recomendações para o júri, formado por executivos da Google e dois ou três convidados externos, cujos nomes serão divulgados nos próximos meses, disse ele. É o júri quem vai decidir que projetos serão financiados pelo programa, e os resultados serão divulgados no último trimestre de 2019.
O Innovation Challenge é parte da Google News Initiative (GNI), lançada em março de 2018 com o compromisso da Google de investir US$ 300 milhões em três anos como “um esforço para ajudar o jornalismo a prosperar na era digital”.
Dentro deste esforço está o apoio da GNI à realização de cursos promovidos pelo Centro Knight voltados para a cobertura das eleições no Brasil em 2018, ao projeto Comprova, parceria de 24 organizações jornalísticas brasileiras contra a desinformação durante as eleições, ao projeto de fact-checking Verificado, no México, além de eventos e treinamentos a jornalistas no mundo todo.
Segundo Pires, há muitas razões para a Google se importar e investir no fortalecimento do jornalismo a nível global.
“O Google acredita que sem jornalismo não é possível existir uma democracia que funcione de forma saudável”, afirmou. “Além disso, a missão do Google é organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil. Para o Google atingir sua missão, o jornalismo tem que existir. Então o futuro do jornalismo e o futuro do Google estão entrelaçados; não tem como o Google ser bem-sucedido em sua missão, se o jornalismo não for bem-sucedido.”
Outra razão parte do ponto de vista de negócio da empresa. “O principal produto do Google, hoje, é a busca. As pessoas só vão continuar usando o Google se a informação disponível para elas for uma informação de qualidade”, disse ele. “Um dos grandes produtores de conteúdo de qualidade é o jornalismo profissional. Então é um interesse de negócio, também, pois o Google não produz informação, ele direciona, e dentro do ecossistema de informação ao qual a busca dá acesso, o jornalismo é uma das partes mais importantes.”

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