23 de nov de 2018

Kilezuuummmm ocupa Casa Charriot de 24 de novembro a 06 de dezembro

Espetáculo de dança é uma livre inspiração do conto “do amor de um pássaro por um lagarto”, do autor e ator Gero Camilo

A Casa Charriot, localizada na rua Conselheiro Lafaiete, no Comércio, é o palco de ocupação do espetáculo de dança Kilezuuummmm, que traz em cena os bailarinos Edu O. e João Rafael Neto dando rabadas lagarteais e penas flutuantes de AMOR. Com provocação e direção do coreógrafo e bailarino Thiago Cohen, a montagem fica em cartaz nos dias 24 e 25 de novembro, 01 e 02 de dezembro, às 16h, 05 de dezembro, às 10h; e 06 de dezembro, às 15h.

Aprovado no Edital Setorial de Dança 2016, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Kilezuuummmm é uma livre inspiração do conto “do amor de um pássaro por um lagarto”, do autor e ator Gero Camilo, e traz reflexões poéticas suscitadas na história como amor, entrega, desejo, respeito a diferença e as restrições impostas socialmente sobre as múltiplas possibilidades de afeto.

“O espetáculo se alimenta de algumas das lindas imagens contidas nele para iniciar pequenos improvisos que foram o caminho percorrido no processo de montagem. O conto dar o tom do espetáculo e não literalmente o norte para ele”, aclara João Rafael Neto.

Kilezuuummmm transforma em dança o encontro entre as diferenças, sobre o inusitado da coexistência entre naturezas distintas e do amor que nos transforma, nos transborda no outro, que nos afeta a tal ponto de nos fundirmos ou nos entendermos parte do outro, mesmo que haja todo um sistema que não aceita determinadas maneiras de existir.
Serviço

O quê: espetáculo de dança Kilezuuummmm
Quando: 24 e 25 de novembro, 01 e 02 de dezembro, às 16h; 05 de dezembro, às 10h; e 06 de dezembro, às 15h
Onde: Casa Charriot – duas entradas: rua Conselheiro Lafaiete, no Comércio, n° 05; e ENTRADA COM ACESSIBILIDADE no Beco do Frazão, Pelourinho, n° 02
Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) – https://www.sympla.com.br





Encontro

Edu O. avistou João Rafael Neto planando no chão, que avistou a sombra de Edu O. no chão. Juntos se fizeram porção. Em um encontro, ocorrido a cerca de 10 anos, João Rafael sugeriu: “vamos colocar nossas rodas para dançarem juntas?”. Até que Edu propôs o conto do Gero Camilo, que o emocionou desde a primeira vez que leu “e, me parece, que agora - mais do que nunca - se faz urgente e necessário, como ato político”.

Na história do Gero Camilo, a família de Kilezum, o lagarto, ‘lambe os lábios’ da intolerância, violência, o que nos leva a refletir sobre o atual momento social brasileiro e mundial. Em suas diversas reflexões, o espetáculo suscita em que medida ou momento o homem ‘lambe os lábios’ ou quando é ‘melodias para curar o amor’.

Independente da intransigência familiar e social, Airerê estava disposto a dar suas penas a Kilezum, que estava disposto a transformá-las em asas e voar. Em trecho do conto, Gero Camilo descreve: “Ora planando, ora rodopiando no espaço, Airerê chamava Kilezum. (...) Eles riem num riso só. Airerê esculpe nuvens com as asas. Kilezum escreve poemas com o rabo”.

Kilezuuummmm é uma oportunidade de falar que todos tipos de amor são válidos e importantes para o mundo. “Principalmente, em tempos de violências desmedidas. Nesse trabalho, convidamos o público para adentrar nossa toca, nosso ninho, curiar e serem cúmplices das sutilezas e lindezas de uma dança de amor, de uma dança do afeto”, convida João Rafael Neto.

Nessa partilha de afetos e amor o espetáculo traz para cena as singularidades, a troca de experiências e vivências dos bailarinos e direção artística com a equipe de produção e da Cia Gira Dança, grupo de Natal que recebeu Edu O., João Rafael Neto e Thiago Cohen no início do processo de criação, numa residência artística de cinco dias.

A partir do encontro com a Gira Dança, o espetáculo traz uma proposição de discutir o lugar que se ver e de estar no mundo. “A residência foi um ponto norteador para a corporeidade que trabalhamos no espetáculo. Temos dois corpos com especificidades físicas muito diferentes e isso nos fez ir a Natal para trabalhar essa multiplicidade de corpos e de condições diversas”, recorda Cohen.

Outro encontro potente do Kilezuuummmm foi com a Casa Charriot, com as texturas cenográficas de suas paredes. O local recebeu o projeto desde as experimentações e esteve aberto a realizar modificações arquitetônicas necessárias para acolher um artista com deficiência e, consequentemente, o público.

 “O projeto ganhou uma dimensão para além da criação artística e coreográfica. Ganha na dimensão social e política. Essa intervenção vai na contramão do discurso de que os espaços históricos não podem ser adaptados”, pontua Edu O., que também é professor da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia.

A respeito da acessibilidade, para ter acesso a Casa Charriot o público poderá chegar por duas entradas: a primeira é pela rua Conselheiro Lafaiete, no Comércio, número 05; e a segunda entrada, com acessibilidade para deficientes físicos, pelo Beco do Frazão, Pelourinho, casa de número 02, onde fica localizada o prédio da empresa Superzon Purificadores. Durante as apresentações terão dois profissionais audiodescritores – Ira Vilaronga e Juniro Almeida, que auxiliaram também nas descrições das postagens em redes sociais.

Poética

Os encontros entre Kilezum e Airerê são influenciados coreograficamente em danças da cultura popular, como o Coco de Roda e o Cavalo Marinho. Além destes ritmos, Kilezuuummmm traz o samba de parêa, o xaxado, entre outros. Subvertendo a lógica da “bipedia" tão forte na Dança e nessas Danças, Kilezuuummmm traz esses ritmos para uma dança com as mãos.

“Em Kilezuuummmm experimentei procedimentos e novas técnicas que modificaram a minha dança e minha presença no mundo”, descreve Edu O..

Como provocador e diretor artístico Thiago Cohen ocupou um espaço propositivo, de partilha e criativo. “Thiago é um artista sensível, de olhar apurado para os detalhes. Eu, ele e João formamos um trio muito interessante porque somos muito diferentes, inclusive na maneira de trabalhar e agir, mas que nos complementamos, nos acolhemos e admiramos demais”, acrescenta Edu O..

Cohen está “muito grato por poder partilhar singelezas ao lado Edu O. e João Rafael Neto”. “Edu com sua grande experiência em composição e improvisação, nos nutrindo com suas propostas e questionamentos, nos levando a repensar nossa maneira de ver e estar no mundo e de desconstrução das lógicas bípedes”.

“O João Rafael Neto foi muito generoso ao partilhar suas andanças entre esportes radicais, danças populares e contribuições mais técnicas que nos ajudou a olhar os elementos que estamos trabalhando neste processo, como cordas e tecido”. Penso que Kilezuuummmm se faz desse encontro. O que desenvolvemos juntos foi uma maneira poética de constelar esse encontro afetivo”, finaliza Cohen.

Enviado por Rafael Brito
Fonte: Théâtre Comunicação

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