1 de ago de 2018

Povo Jenipapo-Kanindé lança Escola de Cinema Indígena em Aquiraz


Aula Inaugural contará com a presença de indígenas mestres da cultura e do documentarista Vincent Carelli. Cacique Pequena conduz ritual de abertura do evento

A câmera aprenderá os caminhos da aldeia e contará as histórias dos povos indígenas refletindo-lhe os olhares. Este é o propósito da Escola de Cinema Indígena Jenipapo-Kanindé (ECINDIJ), que será inaugurada na próxima quinta-feira, 02 de agosto, a partir das 18h. O lançamento acontece na Escola Indígena da aldeia Lagoa Encantada, em Aquiraz, com programação gratuita e aberta ao público. Produção do evento disponibilizará um ônibus para a população de Fortaleza fazer os trajetos de ida e de volta entre Praça da Gentilândia e o local da celebração.     


          Abrindo as atividades da noite, a exposição “Nas aldeias: o cotidiano sob o olhar da juventude indígena no Ceará” apresentará obras de fotógrafos de seis etnias do Estado. Além de visibilizar talentos, a exibição faz referências a um longo processo de apropriação do audiovisual por integrantes desta e de outras aldeias localizadas no Ceará, percurso expandido e potencializado pela Escola de Cinema Indígena.
A vasta programação do lançamento traz ainda atividades como uma roda de conversa com lideranças indígenas, mestres da cultura, o coordenador pedagógico Henrique Dídimo e outros profissionais da ECINDIJ. O Cineasta e antropólogo Vincent Carreli ministrará a aula inaugural “Vídeo nas aldeias – partilha de experiências com audiovisual indígena”. Com mais de quatro décadas de experiência no tema, Carelli vem ao Ceará especialmente para o evento.   
Reunindo indígenas e não indígenas em uma grande festa, a aula inaugural reflete os objetivos da ECINDIJ de promover o estudo e a realização de um audiviosual acordado às vivências indígenas, que possibilite a auto-expressão e o registro de saberes tradicionais, valorizando a diversidade de narrativas. A iniciativa também se destaca pelo viés profissionalizante, oferecendo formação especializada de forma gratuita e acessível. A Escola de Cinema Indígena - Um Olhar Etnográfico é uma realização da Associação de Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé com o apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, através do edital Escolas da Cultura.

Confira a programação completa da aula-inaugural

18h Abertura da exposição
Nas aldeias: o cotidiano sob o olhar da juventude indígena no Ceará
19h
Ritual de abertura conduzido pela Cacique Pequena Jenipapo-Kanindé seguido de roda de conversa com a participação de lideranças indígenas da região e coordenadores da Escola de Cinema Indígena.
20h
Aula-aberta com Vincent Carelli: Vídeo nas Aldeias - partilha de experiências com audiovisual indígena.
20h30
Apresentação audiovisual e roda de Toré. 

SERVIÇO
Aula Inaugural da Escola de Cinema Indígena Jenipapo-Janindé
Data: Quarta-feira, 02 de agosto, a partir das 18h.
Local: Escola Indígena Jenipapo-Kanindé, Aldeia Lagoa Encantada, Aquiraz.
Produção do evento disponibillizará ônibus saindo da Praça da Gentilândia para a aldeia às 17h e retornando ao local por volta das 22h. 
Mais informações
Assessoria de comunicação:
Naiana Gomes: (85) 986392939
Contatos para entrevistas
Juliana Alves, Cacique Irê do povo Jenipapo-Kanindé: 996107639
Eliane Alves, Presidente da Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé: 986832141
Henrique Dídimo, Coordenador pedagógico e professor da ECINDIJ: 988454234


Um Olhar Etnográfico

Sediada na aldeia Lagoa Encantada, Aquiraz, a Escola de Cinema Indígena Jenipapo-Kanindé é fruto de um longo processo de apropriação do audiovisual pelos povos indígenas das 14 etnias localizadas no Ceará. Fazem parte deste percurso a realização de cineclubes, oficinas, mostras de cinema, exposições fotográficas, entre outras atividades desenvolvidas em parceria com instituições públicas, organizações da sociedade civil e profissionais indigenistas, sempre prezando pela autonomia de nossos povos originários.
A Escola se estabelece como expansão e continuidade deste trabalho, possibilitando aprendizados mais aprofundados do audiovisual por meio de uma abordagem acordada às dinâmicas da aldeia, com um projeto pedagógico construído coletivamente.
O primeiro curso oferecido pela instituição começará também em agosto próximo e se estenderá até o final de 2020, com turma composta por moradores da aldeia Lagoa Encantada na faixa etária a partir de 12 anos. Baseada nas vivências índigenas, a metodologia da Escola aproximará o cotidiano e as tradições da aldeia dos conhecimentos e ferramentas para a realização audiovisual. Também corrobora com essa dinâmica a realização de uma parte das aulas ao ar livre, utilizando o meio ambiente como referência.
Os conteúdos serão transmitidos em módulos quinzenais, com carga horária concentrada nos finais de semana, de forma que o curso seja conciliável com o sistema tradicional de ensino, no caso dos alunos adolescentes, ou com escalas de trabalho.  
O curso será estruturado em três etapas focadas em distintos conteúdos práticos e teóricos que entretanto serão abordados integradamente ao longo toda a formação. A primeira, denominada “Olhares da aldeia-mundo”, proporcionará imersões na linguagem audiovisual, priorizando perspectivas etnográficas. Em seguida, a etapa “Instrumentos do olhar” terá foco na construção de roteiros e na apropriação das técnicas de captação audiovisual. Encerrando o percurso, “Narrativas de terra e tempo” contemplará processos de edição, inclusive com laboratórios para o desenvolvimento de projetos dos alunos.
           
Sobre Vincent Carelli, professor convidado da aula inaugural

Vincent Carelli se envolve com o indigenismo desde o início da década de 1970, sendo co-fundador do Centro de Trabalho Indigenista. Em 1986, cria o Projeto Vídeo nas Aldeias, trabalho que coloca o vídeo a serviço dos projetos políticos e culturais dos povos indígenas, e se torna documentarista.
Desde então, produziu uma série de 16 documentários sobre os métodos e resultados deste trabalho, que tem sido exibidos por televisões públicas pelo mundo afora. A Arca dos Zo’é (1993) recebeu vários prêmios em festivais, como o 16º Tokyo Video Festival o Cinéma du Réel em Paris. Com o Vídeo nas Aldeias, Carelli recebeu o Prêmio UNESCO na 6ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, em 1999, e o Vídeo nas Aldeias recebe em 20. Seu longa Corumbiara (2009), sobre sua trajetória junto a índios isolados no sul de Rondônia, foi o grande vencedor do festival de Gramado 2009 e foi premiado em muitos festivais nacionais e internacionais. Neste ano o Vídeo nas Aldeias recebe do governo brasileiro a condecoração da Ordem do Mérito Cultural.
Em 2016, Carelli lança seu terceiro longa metragem, “Martírio”, sobre o genocídio dos Guarani Kaiowa no Mato Grosso do Sul, premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, e lançado em sala de cinema em 2017. Em dezembro de 2017 Vincent recebe o prêmio Prince Claus da Holanda por sua produção cultural em apoio aos povos indígenas. Hoje toda a produção do Vídeo nas Aldeias pode ser acessada através da plataforma online VOD videonasaldeias/loja. 

Fonte: Escola de Cinema Indígena Jenipapo-Kanindé

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