FNO

18 de mar de 2018

Poeta eu vim pra matar a saudade do sertão.

Xilogravura do Mestre Marcelo Soares. Disponível em: http://cafofinhodasillas.blogspot.com.br/…/literatura-de-co…

Mote: Poeta Zé de França
Glosa – Nivaldo CruzCredo


‘Tava’ assim sufocado,
Todo cheio de agonia,
Queria e não queria,
‘Tava’ mesmo deslocado,
Coração bem apertado,
Falta danada, do cão,
Não tive outra solução,
A não ser retornar,
Poeta eu vim pra matar 
A saudade do sertão.

Saudade do cheiro do mato,
De cada ponta de espinho,
Das pedras no caminho,
Da Palma cortada no prato,
Do quito, cachorro, do gato,
De lá da cozinha, do fogão,
Com a brasa de cada tição
E para não mais chorar,
Poeta eu vim pra matar 
A saudade do sertão.

Lembro do velho umbuzeiro,
Despejo é água dos “ zói”,
É saudade que vem de ”mói”,
Da caatinga e do seu cheiro,
Da carne seca no braseiro,
De cada taco desse chão,
De cada irmã e irmão,
Por isso vim para cá,
Poeta eu vim pra matar 
A saudade do sertão.

Saudade do quente lajedo,
Do mel sadio da Jandaia
E também da Manda saia,
Do bom cozido de bredo,
Saudade até do medo
Das noites de escuridão,
Do canto triste do Carão.
Das carreiras do Preá,
Poeta eu vim pra matar 
A saudade do sertão.


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