31 de ago de 2016

Começa em setembro entrevistas para monitoramento da Festa de Santa Bárbara

Foto: Igreja do Rosario dos Pretos - Mercado da Santa Barbara |Foto: Jefferson Vieira 

O bem cultural imaterial – como manifestações e festas populares – é sempre dinâmico. As modificações acontecem, mas é necessário preservar as suas características originais já que algumas dessas manifestações são registradas oficialmente como Patrimônio Imaterial da Bahia. Por isso, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) retoma, neste mês de setembro (2016), o processo de monitoramento da Festa de Santa Bárbara, registrada desde 2008 via IPAC como Bem Imaterial. Equipe multidisciplinar do IPAC, formada por antropólogos, historiadores e fotógrafos, iniciará entrevistas com personagens e instituições que fazem a festa que remonta ao ano de 1641, acontece anualmente a 4 de dezembro e completa em 2016, 375 anos de existência em Salvador.

O IPAC obedece a Lei Nº 8.895 que estabelece a salvaguarda. A legislação determina, no artigo 41, que os bens protegidos pelo IPAC sejam documentados a cada cinco anos por meio de fotos e entrevistas.  “No ano passado (2015) acompanhamos e registramos a festa. Esse ano, a equipe fará entrevistas com pessoas e entidades envolvidas”, diz o diretor de Preservação do Patrimônio Cultural (Dipat) do IPAC, Roberto Pellegrino. Serão procurados integrantes da Irmandade do Rosário dos Pretos, do Mercado de Santa Bárbara, Igreja da Liberdade, Companhia dos Bombeiros e Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), dentre outros. IPAC e CCPI são vinculados à secretaria estadual de Cultura (SeculTBA).

LEGISLAÇÃO – “Já elaboramos o primeiro relatório a partir do que coletamos ano passado, faremos as entrevistas e ainda vamos registrar a festa deste ano (2016) para comparar com a do ano passado; a previsão é finalizar o processo no início de janeiro”, comenta a gerente de Patrimônio Imaterial (Geima) do IPAC, Nívea Alves.

Mesmo com a tendência atual de adeptos do candomblé de cultuar apenas os orixás, na festa ainda é possível comprovar o sincretismo do orixá Iansã com a santa católica Bárbara. Os fiéis celebram ambas com fé, música, capoeira, caruru e samba de roda. Ela é padroeira dos bombeiros e dos mercados. “A Festa de Santa Bárbara é uma comemoração cultural e social, extrapolando o cenário nacional; o monitoramento do IPAC é de grande valia, pois nos ajuda a preservá-la para as próximas gerações”.

375 ANOS – A festividade começou em 1641 no Morgado de Santa Bárbara, no Comércio, devido à promessa feita pelo casal Francisco Pereira e Andressa de Araújo. Depois que um incêndio destruiu o Morgado, a imagem da santa, foi para a Igreja do Corpo Santo e, finalmente, para a do Rosário dos Pretos. A devoção atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo. “Desde meados do século XX o Rosário passou a organizar o evento, assim, os verdadeiros ‘donos’ da festa são a irmandade e o povo devoto; o governo estadual só apoia”, ressalta a diretora do CCPI, Arany Santana.

No ano passado, o IPAC fez reparação predial e pintura na Igreja do Rosário e pintura no mercado. Na igreja, a irmandade ofereceu material e o IPAC equipe técnica. Já a montagem de palco, produção, camisetas e caruru foram apoiados pela CCPI. “Os apoios da SecultBA, IPAC e CCPI são fundamentais para que a festa permaneça”, comenta Arany. O livro do IPAC sobre a festa pode ser acessado no site www.ipac.ba.gov.br, via link ‘Publicações para download’ (lado esquerdo primeira página) e no link ‘Cadernos do IPAC’. Informações: (71) 3117-7498. Acesse: facebook ‘Ipacba Patrimônio’, twitter ‘@ipac_ba’ e instagram ‘@ipac.patrimonio.

 HISTÓRIA – A Festa de Santa Bárbara remonta ao ano de 1639, quando o casal Francisco Pereira e Andressa Araújo construiu capela devocional no comércio às margens da Baía de Todos os Santos, em Salvador. Logo depois, a população começa a participar da devoção, criando uma procissão em 1641. Desde então a festividade, transferida para o Pelourinho, tornou-se não somente fonte de fé para católicos como também para adeptos da religiosidade de matrizes africanas, que chegam de diversos estados brasileiros e até de fora do Brasil para participar da festa e procissão em Salvador. A programação inclui tríduo de celebrações eucarísticas e termina na Igreja do Rosário dos Pretos. A igreja e seus bens móveis, como as imagens dos santos, pinturas do teto e azulejos foram restaurados pelo IPAC ao custo de R$ 2,6 milhões em 2012. Autarquia da SecultBA, o IPAC recebeu recursos do Tesouro Estadual e do programa federal Prodetur, financiamento do Banco Interamericano, via Ministério do Turismo e Secretaria do Turismo, e investimento do Banco do Nordeste. A exposição permanente que existe no corredor lateral da Igreja do Rosário dos Pretos também aconteceu graças ao Edital de Museus do IPAC. A mostra é uma homenagem à Irmandade e à Venerável Ordem Terceira do Rosário às Portas do Carmo, nome da entidade, fundada por descendentes de escravos e ex-escravos que construíram o templo. Composta por 52 fotos coloridas e em preto e branco de autoria de Aristides Alves, Rugendas e Carlos Julião, e textos especialmente escritos e dimensionados em painéis portáteis, a exposição tem ainda imagens do acervo da irmandade e da Fundação Pierre Verger.
  
Assessoria de Comunicação – IPAC
Jornalista responsável Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)
Coordenação de Jornalismo e Edição: Marco Cerqueira (DRT-BA nº1851)
Texto-base: Milena Hildete (estagiária de jornalismo)

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