4 de ago de 2016

Baiano é destaque em um dos maiores congressos de Cardiologia do mundo

Formado em Ciências Biológicas pela FTC Salvador no ano de 2007, o diplomado Vagner Oliveira Carvalho Rigaud decidiu, dentre as inúmeras opções que o curso oferece, seguir a área de Genética. “Sempre quis trabalhar com genética, e esse foi também um dos motivos pelo qual escolhi a FTC, já que a Instituição oferecia esta habilitação”, explica.
Recém-graduado, Vagner saiu da capital baiana para a cidade de São Paulo em busca de aperfeiçoamento profissional e de olho no seu futuro. Após muitas respostas negativas, ele conseguiu um estágio voluntário na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e apesar das inúmeras dificuldades por qual passou, advindas da sua escolha, destacou-se pelo seu empenho e dedicação.
“Foi um início bem complicado. Eu ia na ‘cara de pau’ conversar com os chefes dos laboratórios para conseguir um estágio, recebi inúmeros ‘não’ ou simplesmente era ignorado. E mesmo após conseguir o estágio, vivenciei situações difíceis, pois o estágio era voluntário em tempo integral, e eu não tinha qualquer renda. Justamente em São Paulo, onde o custo de vida é bem alto. Além disso, me sentia frequentemente sozinho, já que estava longe da família e amigos, não conhecia praticamente ninguém e estava em uma cidade que não é muito acolhedora, ainda mais sendo nordestino”, diz.
Reconhecimento acadêmico
Mesmo com as adversidades, o futuro reservava coisas boas para a carreira de Vagner. Em 2009, com pouco mais de um ano de estágio na Faculdade, o jovem ingressou no Mestrado em Biologia Molecular, oportunidade na qual, por meio de suas pesquisas, conseguiu identificar novas mutações em um gene de fungo que potencialmente poderiam torná-los resistentes a medicamentos.
Ao término do seu mestrado, em 2011, Vagner foi convidado por um professor da Faculdade de Medicina da USP para estudar um grupo de moléculas recém-descobertas. Ele aceitou o desafio e deu início a sua tese de doutorado.
Em seu trabalho, mostrou que uma dessas moléculas, chamada de microRNA-1, poderia ser potencialmente utilizada para detectar precocemente o surgimento de lesões cardíacas induzidas pela quimioterapia. Seu estudo obteve bastante notoriedade levando-o aos Estados Unidos no final de 2015 para apresentar seus resultados em uma seção de destaque em um dos maiores congressos de cardiologia do mundo, no American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2015, na Flórida.
“Fiquei impressionado com a magnitude do congresso, cerca de 18 mil profissionais do mundo inteiro reunidos em um único lugar. Quando entrei no anfiteatro que eu iria apresentar o trabalho, senti um tremendo frio na barriga, era enorme! Naquele momento eu percebi a importância que o meu estudo tinha alcançado”, explica.
Pós doc
Em 2016, aos 30 anos, Vagner concluiu o seu doutorado e foi selecionado pela University of Toronto do Canadá para desenvolver um projeto de Pós-doutoramento. Entretanto, teve a sua saída do país postergada em decorrência da forte crise econômica vivenciada pelo Brasil.
“Trata-se de uma oportunidade incrível não somente de participar ativamente de um estudo pioneiro que pode proporcionar um grande benefício para os pacientes, mas também de trazer essa tecnologia de volta ao Brasil”.
Atualmente, Vagner atua como pesquisador associado na Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve um projeto de pesquisa em parceria com o National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos. O projeto de pesquisa avalia a expressão dos genes (transcriptoma) envolvidos na cardiomiopatia causada pela doença de chagas. O objetivo é entender os mecanismos genéticos/moleculares da progressão da doença de chagas.

Com informações de Madalena de Jesus (Ascom - FTC/Feira)
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