3 de fev de 2016

Como surgiram as fantasias e as máscaras de carnaval?


Vocês usam máscaras ou fantasias no carnaval? Em muitos lugares, esse hábito foi perdido, mas é um costume que faz parte da história dessa festa popular. Veja aqui como surgiram as fantasias e as máscaras de carnaval.
O carnaval é um tipo de evento peculiar que apresenta várias características que dão um ar especial aos bailes e desfiles, e as fantasias e máscaras são a grande diferença entre os foliões.

Fantasias de carnaval

A partir de 1870 as fantasias de carnaval tiveram grande importância para a festa, pois foi a forma que as pessoas encontraram para dar um ar mais divertido ao evento.
Até 1930 as fantasias eram simples, com roupas adaptadas, tingidas, enfeitadas de forma ingênua, pois os materiais que poderiam enriquecê-las, como os tecidos, ornamentos, sapatilhas, adereços de cabeça, eram muito caros, aparecendo mais nos desfiles de escolas de samba. Nos clubes e desfiles de rua, surgiram os blocos, onde um grupo de pessoas vestia-se igual.
Alguns disfarces tornaram-se mais famosos, como caveira, odalisca, médico, morcego, malandro, super-heróis, diabo, príncipe, bobo da corte, pierrô, colombina, vedete, palhaço.
Os bailes de gala foram instituídos no Brasil, seguindo o modelo dos bailes de Veneza, e foram mais popularizados através de Clóvis Bornay, onde as fantasias eram avaliadas nas categorias luxo e originalidade.
Clóvis Bornay foi um grande nome desses desfiles, chegando a “hors concours” (concorrente de honra), ficando fora da competição em razão da beleza de suas criações, que sempre conquistavam os títulos, impedindo outros participantes de chegarem perto da vitória.

Fantasias das escolas de samba

As fantasias das escolas de samba são parte essencial do desfile. Elas explicam a história contada na letra do samba enredo. Devem ser coerentes ao tema e aparecer em harmonia com o conjunto da escola. A escola de samba é dividida em alas e cada ala possui um modelo diferente de fantasia, que deve ser respeitado e seguido por todos os integrantes.
Segundo o manual do julgador, deve aparecer a uniformidade, “a igualdade nos calçados, meias, shorts, biquínis, sutiãs, chapéus” etc.
O julgamento das fantasias é feito analisando a criatividade, o significado e importância para o enredo, a boa utilização das cores e distribuição dos materiais, a riqueza dos materiais usados na confecção, os acabamentos das roupas, os detalhes, os adereços que compõem as peças etc.
As fantasias mais importantes numa escola de samba são as de Mestre Sala e Porta Bandeira, além da Comissão de Frente, que dá a primeira impressão da escola.

História das máscaras

Ao longo da história da humanidade, as máscaras foram utilizadas com os fins mais distintos, de acordo com a cultura e a religiosidade do povo que as adotavam. Geralmente elas permitiam o acesso a universos regidos pela imaginação ou a dimensões espirituais invisíveis. Os contadores de histórias assumiam muitas vezes o uso das máscaras para dar mais vida às suas narrativas, enquanto muitos eventos próprios da Natureza, mas que não se podiam ainda explicar, eram compreendidos através do recurso a estas ferramentas de ilusão e dissimulação.
Elas desempenharam, em muitas civilizações, o papel espiritual, como instrumentos principais em rituais sagrados. Assim foi na África, quando eram elaboradas por mãos artísticas, com feições distorcidas, proporcionalmente maiores do que as normais, constituídas de cobre, madeira ou marfim; no Egito Antigo, onde mascaravam as múmias prestes a serem enterradas, enfeitadas com pedras preciosas; entre os indígenas norte-americanos, habitantes do noroeste dos EUA, bem como os Hopi e os Zuni, em solenidades nas quais pranteavam seus entes queridos que haviam partido para a espiritualidade.
Os nativos brasileiros, em suas cerimônias, portavam máscaras simbolizando animais, pássaros e insetos; na Ásia, elas eram assumidas tanto em ritos espirituais quanto na realização de casamentos; em várias tribos primitivas, os índios mais velhos usavam máscaras em cerimônias de cura, para expulsar entidades negativas, com o objetivo de unir casais em matrimônio ou nos rituais de passagem, momentos marcados pela transição da infância para o mundo dos adultos.
As máscaras também tinham características simbólicas, como se verifica nas tribos de esquimós que residem no Alaska. Eles acreditavam na dupla vida de cada ser, de um lado humana, de outro animal. Desta forma, as máscaras também eram produzidas com uma feição duplicada; em algumas festas erguia-se a mais externa, revelando a outra, até então oculta.
No mundo ocidental os antigos gregos foram pioneiros no uso das máscaras, adotadas nas festas dionisíacas, perpetradas em homenagem a Dionísio, divindade responsável pelo vinho e pelos rituais de fertilidade. Nessas ocasiões, todos dançavam, cantavam, se embriagavam e realizavam orgias, evocando a presença do deus através do emprego da máscara. A Grécia foi também o berço do Teatro, modalidade artística que recorria constantemente ao encantamento das máscaras, até mesmo como uma forma de evitar que os atores incorporassem os mortos. Atualmente ainda se vê este hábito perpetuado no Japão.
Com a queda do Império Romano, os cristãos primitivos praticamente proibiram o uso das máscaras, considerando-as instrumentos do paganismo. Na América, elas desembarcaram junto com os europeus que para lá se transferiram, tanto como brinquedos infantis, quanto para bailes e outras festas. Em Veneza, no século XVIII, as máscaras transformaram-se em itens de consumo cotidiano por todos os seus habitantes, velando apenas o nariz e os olhos. Logo foram proibidas, pois dificultava a ação da polícia na identificação de criminosos, muito comuns nesta cidade naquela época.
Atualmente elas são utilizadas em festas tradicionais, no Halloween, o famoso Dia das Bruxas, e no Carnaval; bem como em determinadas práticas profissionais, como a do apicultor, que assim se protege do ataque das abelhas; ou em certos esportes, como a esgrima.

Curiosidades sobre as máscaras de carnaval

  • Sabia que a primeira máscara de Carnaval data de 30.000 anos A.C. e era fabricada e ornamentada para ser usada em celebrações, cultos e rituais de povos primitivos?
  • No Antigo Egito, o povo acreditava que a colocação de uma máscara na face dos mortos ajudava na passagem para a vida eterna.
  • Na China, as máscaras eram usadas para afastar os maus espíritos.
  • Na Grécia, eram utilizadas nas suas cerimônias religiosas.
  • O mais antigo documento sobre o uso das máscaras em Veneza data de 02 de Maio de 1268.
  • Um outro, datado de 22 de Fevereiro de 1339, proibia os mascarados de vaguearem pela noite nas ruas da cidade. Todavia, o seu uso era permitido durante todo o carnaval, exceto nas festas religiosas e ao entrar nas igrejas.
  • Na Itália, os “bobos da corte”, artistas do riso, transformaram-se em Arlequim, Pulcinella, Pierrot e Colombina, personagens que inspiraram o Carnaval de Veneza, sendo que as máscaras, tinham o poder de revelar ou ocultar sentimentos.
  • Na necessidade do homem de se embelezar e de se transformar, surge em Veneza, no século XV, o primeiro baile de máscaras, “Ball Masquê”, onde o uso da máscara também se fazia necessário devido aos constantes conflitos políticos. Os Cortesãos mascarados faziam brincadeiras, confiantes no anonimato, extravasando todos os seus impulsos reprimidos, libertando-os das normas sociais.
  • Em Veneza, as máscaras também se tornaram peças decorativas, transformando-se na principal atividade econômica da região.
A festa fica ainda mais divertida com uma fantasia ou máscara de carnaval. Já escolheu a sua?

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