29 de jan de 2016

30 curiosidades sobre o carnaval

Ah, o Carnaval. Para muitas pessoas é a data mais esperada do ano. Diversão, música, alegria e alguns dias em que os problemas são deixados de lado. E como todo grande evento, ele é cheio de histórias para contar. Veja aqui 30 curiosidades sobre o Carnaval.
Os fatos abaixo estão listados no site oficial da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Vale a pena conferir.

Curiosidades sobre o Carnaval

1 – Criação da ala das baianas

Foi na gestão de Roberto Paulino, biênio 60/62, na Mangueira, que foi criada a Ala das Baianas com as características atuais. Eram 125 baianas coordenadas por D. Neuma. Foi no desfile das campeãs em 1970, quando o Presidente era Juvenal Lopes que a mais famosa baiana da Mangueira Nair Pequena, morreu em plena avenida, quando a escola cantava o samba de enredo “Um Cântico a Natureza”.

2 – Escola foi para avenida sem alegorias

No carnaval de 1972, a Império Serrano com o enredo “Alô, Alô, Tai Carmem Miranda” chegou com suas alegorias praticamente nuas na concentração, deixando os componentes da escola, tristes e preocupados. De repente, Fernando Pinto, o carnavalesco, foi montando folhagens, bichos e coqueiros que estavam embrulhados em plásticos, transformando os esqueletos das alegorias em uma deslumbrante floresta. Era o gênio de Fernando Pinto que começava despontar. A Escola de Samba Império Serrano foi Campeã com um carnaval que ninguém se esqueceu até hoje.

3 – Carnaval sobre a Bahia dava azar?

Em 1969, quando Fernando Pamplona anunciou que o enredo era “Bahia de Todos os Deuses”, os Salgueirenses ficaram preocupados. Havia crença geral que o carnaval sobre a Bahia dava azar, pois todas as escolas que tinham feito carnavais a respeito do tema não haviam conseguido passar do 3° lugar. Inclusive o Salgueiro, em 1954, ficou nessa posição com “Uma romaria à Bahia”. A coisa piorou ainda mais quando foi determinado que a Escola ia se formar do lado direito da candelária, que, segundo os sambistas, também dava azar. Contra todos os prognósticos pessimistas Salgueiro foi campeão nesse ano.

4 – Primeira mulher a tocar surdo numa escola de samba

Dagmar, esposa de Nozinho, irmão de Natal da Portela, foi a primeira mulher a tocar surdo numa bateria de Escola de Samba.

5 – Adelaidinha nasce em pleno desfile

Num desfile da Azul e Branca denominado “Noite de São Silvestre” promovido pelo jornal “A Manhã” na noite de 31 de Dezembro de 1949, a pastora Finoca, em adiantado estado de gestação não deu ouvidos às ponderações de sua mãe Adelaide, também sambista, e as do marido Nunes e desceu para o desfile. Na madrugada de 01 de Janeiro de 1950, a Escola partiu da Praça Onze para o Obelisco. Na altura da rua D. Gerardo, Finoca começou a sentir os primeiros sintomas do parto. Sentou-se no meio fio encostou a cabeça no poste e chamou o repórter Aroldo Bonifácio para acionar uma ambulância. O jornalista, ao tentar sair, para procurar um telefone foi seguro por Finoca que havia piorado. Não houve jeito. Nasceu a criança sob a assistência apavorada do jornalista. A menina ganhou o nome de Adelaidinha se tornando depois uma famosa passista.

6 – O famoso Tablado

O famoso “Tablado”, local onde as Escolas de Samba desfilaram, de 1952 a 1956 tinha 1 (um) metro de altura e cerca de 60 metros de extensão. O “Tablado” ficava na Av. Presidente Vargas, entre as ruas Uruguaiana e Av. Rio Branco, em frente à Escola Pública Rivadávia Correa. As Escolas de Samba desfilavam no sentido Av. Passos – Candelária.

7 – Ala das Baianas era formada por homens

A ala de baianas na década de 30 era formada, quase exclusivamente, por homens que saiam nas laterais das escolas, portando navalhas presas as pernas para defenderem as agremiações em caso de brigas.

8 – Formato de Projetos Culturais

Desde 1996, os enredos das Escolas de Samba vêm assumindo o formato de “Projetos Culturais” elaborados por especialistas. A necessidade de seduzir patrocinadores determinou o aparecimento de enredos capazes de proporcionais retornos financeiros. Segundo alguns dirigentes de Escolas de Samba, os enredos orientados nesse sentido são uma saída para abaterem os custos cada vez mais altos dos carnavais.

9 – Brasília ficou sem desfile

Brasília ficou sem desfiles de agremiações subvencionadas, de 1994 a 1995, pois não houve liberação de verbas para as entidades desfilantes que em números de 23 (Escola de Samba, Blocos Carnavalescos e mais os Clubes de Frevos) “desrespeitavam o emprego das verbas liberadas”. Os frevos, segundo o sambista Brigadeiro, “proliferaram de tal sorte que chegaram ao número exagerado de 12 agremiações com componentes desfilando em 3 – 4 – 5 clubes. O mesmo acontecia com as Escolas de Samba e Blocos”. Em 1996 o Governo chamou as agremiações e estipulou suas condições: considerou extintos os Blocos Carnavalescos e Clubes de Frevos e limitou em 9 (nove) o numero de Escolas de Samba, cada uma representando uma Cidade Satélite.  Todas têm a obrigação de prestar contas, através da Liga das Escolas de Samba de Brasília, ao governo. Segundo ainda “Brigadeiro”, a Escola de Samba melhor estruturada é a Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC) que tem sede própria e organiza shows o ano inteiro, arrecadando verba própria para montar o seu carnaval.

10 – Desfilantes vieram de São Paulo e Minas Gerais

No carnaval de 1996 cerca de 20% dos componentes de Escolas de Samba como a Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mocidade Independente vieram de Estados como São Paulo e Minas Gerais.

11 – Sabino é exímio pandeirista

Sabino Barroso, um dos arquitetos que fez o projeto da quadra da Mangueira é um exímio pandeirista. Tocou durante 6 anos na bateria da Mangueira. Segundo Sabino o mestre Waldomiro gostava do pandeiro na bateria (havia poucos pandeiristas), pois dava um tom leve ao conjunto. Mas, uma coisa é o pandeirista que dá exibição, outra é o que sai na bateria.

12 – Paulinho de Ouro diz

Paulinho do Ouro, um dos mais eficientes administradores de barracão de Escola de Samba, diz: “trabalho por terceirização com turmas de no máximo 50 pessoas e todo planejamento é feito por etapas”. Ao se concluir uma etapa, entra outra, de forma que no final do carnaval não fica o corre-corre tão comum dos últimos dias dos preparativos quando cerca de 200 pessoas se acotovelam nos barracões das Escolas de Samba trabalhando dia e noite.

13 – Quando o High Society chega às Escolas

Irênio Delegado, jornalista, foi quem levou as classes sociais mais privilegiadas para assistirem aos ensaios das Escolas de Samba. O fato se deu em 1948. Foi organizada uma grande programação para o lançamento de um refrigerante na Serrinha. Nesse dia veio uma comitiva de 30 pessoas importantes de São Paulo e do Rio de Janeiro, entre elas o diretor da Radio Nacional, Victor Costa. Em continuidade várias festas foram planejadas com o apoio dos jornais A Noite e A Manhã.  Depois as festividades foram estendidas para a Portela, Aprendizes de Lucas e Azul e Branco do Salgueiro.  A Império Serrano deixou de dar ensaios na Serrinha e veio para o Madureira Tênis Clube.  O “high society” começou a chegar e a partir da segunda metade da década de 60 tornou-se um modismo ir à quadra das Escolas de Samba.

14 – Verdadeira Obra de Arte

Uma das alegorias consideradas mais bonitas, verdadeira obra de arte foi a “Yemanjá”, confeccionada, para o carnaval de 1969, por Arlindo Rodrigues, toda em “Papier-machê” prateada. A “Yemanjá” estava sentada num mar de rosas pratas, com diversas oferendas e cercando-a uma cascata feita por pequenos e numerosos espelhos que com o toque da luz do sol deu o efeito tão desejado pelo artista. Naquele ano, o Salgueiro iniciou seu desfile por volta de 11h, do dia, com um céu de brigadeiro.

15 – Ceia do Samba

A Império Serrano, na década de 50, recebia, em sua sede e terreiro de ensaios, no final da rua Balaiada, um dos pontos mais alto do morro da Serrinha (para se chegar à sede subia por uma estreita escada, cavada no barro), turistas e personalidades (fato inédito) oferecendo a famosa Ceia do Samba. Entre os visitantes ilustres que foram à Serrinha, citamos o Prefeito da cidade, a cantora Marlene, o locutor Manuel Costa, entre outros. Um forte temporal que caiu na cidade em 1958 fez ruir a velha sede acabando com um dos mais tradicionais costumes do samba.

16 – Não viu a Deixa Falar desfilar

Rubem Barcelos, famoso compositor do Estácio, incentivador de blocos, morreu no dia 17 de junho de 1927, com uma hemoptise galopante (Tuberculose) não vendo a primeira Escola de Samba do Rio, a Deixa-Falar, que ajudou a fundar, desfilar.

17 – Inventor da “batida leite de onça”

O compositor do Salgueiro, Djalma Sabiá, autor de um dos mais belos sambas de enredo de todos os tempos, chamado Navio Negreiro, é o inventor da bebida “batida leite de onça”.

18 – Desfile extra

De 1958 a 1962, a Coca-Cola Refrescos e o Jornal Última Hora, patrocinaram um desfile extra, antes do carnaval (realizou-se na Praça 7 e no Campo do Fluminense). A iniciativa não se repetiu.

19 – Nem melhor, nem pior

Foi Nelson de Andrade, ex-Presidente de Salgueiro e da Portela, o autor do lema usado até hoje pela Escola Vermelho e Branco da Tijuca, ” nem melhor, nem pior, apenas uma Escola diferente”.

20 – Caixotes de madeira

O público que assistia em 1958, aos desfiles das Escolas de Samba, na Av. Rio Branco, comprimido por uma corda de aço que margeava as calçadas alugava caixotes de madeira a CR$ 5,00 (cinco cruzeiros).

21 – Escola não usa cordas

Em 1959, pela primeira vez contrariando uma norma do regulamento dos desfiles, o Salgueiro não usou as tradicionais cordas. Daí em diante, caiu a obrigatoriedade das cordas envolvendo toda a Escola de Samba.

22 – Desfile atrasado

Em 1959, o desfile das Escolas de Samba estava atrasado mais de 4 h, porque a Unidos de Bangu não queria entrar devido a um defeito em de seus carros alegóricos. A segunda Escola a desfilar, a Aprendizes de Lucas se recusou a substitui-la. Para resolver o impasse Nelson de Andrade, então presidente do Salgueiro, em homenagem ao povo, resolveu abrir o desfile. Nesse mesmo ano o Salgueiro foi a Cuba e desfilou na inauguração de Brasília.

23 – Os Bambas do Estácio

A região do Estácio, morada de artífices, operários e biscateiros, vizinho do São Carlos era um ponto natural de encontro, convergência de malandros alguns deles excelentes sambistas. Exatamente por isso, tem uma história importante no samba. Os botequins do Estácio, sobretudo, os do “Compadre” e “Apolo”, eram frequentados pelos bambas que fundaram a primeira Escola de Samba.

24 – Deixa Falar e o Mercado do Disco

O surgimento da primeira escola de samba, a Deixa Falar, coincidiu com a implantação da gravação elétrica no Brasil, responsável pelo impulso ao mercado do disco.

25 – Deputado Institui Dia Do Samba

O Decreto Lei Estadual que designa o dia 2 de Dezembro como o Dia Nacional do Samba, é de autoria do Deputado Frota Aguiar. O fato se deu durante o I° Congresso Nacional do Samba.

26 – “Júri-Móvel”

Em 1961, o Sr. Victor Bouças, então diretor do Departamento de Turismo criou o “Jurí-Móvel”, uma carreta onde se instalava a Comissão Julgadora e que devia circular enquanto a Escola desfilava. A “engenhoca” não funcionou e o júri permaneceu fixo. Nesse mesmo ano, o Sr. Victor Bouças propôs que o desfile das Escolas de Samba fosse realizado no Maracanã, pois a Av. Rio Branco já não comportava o crescimento das agremiações. Em 1962 as Escolas fizeram o ultimo desfile na Av. Rio Branco, indo para a Candelária (Av. Presidente Vargas).

27 – Desfilando Mesmo Sem Luz

Em 1983, a Escola de Samba Caprichosos dos Pilares que estava no grupo especial com o enredo Um Cardápio a Brasileira, desfilou às escuras na Passarela do Samba durante cerca de uma hora, pois faltou luz. A Escola continuou o desfile, porém na Abertura dos envelopes, as notas não foram computadas. A Escola de Pilares foi mantida no Grupo Especial. Fato semelhante aconteceu com a Escola de Samba Santa Cruz em 1992, que também fez seu desfile às escuras. A partir desse incidente o regulamento dos desfiles estabeleceu que na ocorrência de falta de luz as Escolas deverão continuar o desfile, mas para valer o julgamento os jurados devem descer das cabines, permanecendo na pista.

28 – A maldição de Natal

No Carnaval de 1974, Natal, presidente da Portela, chamou o então diretor do Departamento Cultural, o pesquisador Hiram Araújo, para lhe pedir um favor especial. Contou que seu pai-de-santo mandara fazer um “trabalho” para a Águia ser campeã. “Você tem que encher a boca de cachaça e jogar um pouco em cada alegoria.” – instruiu. Hiram ficou espantado. Nunca bebera um gole de cachaça e não seria aquela a primeira vez. Natal fez-se porta-voz da fúria dos deuses: “Pois, então, a Portela vai ficar 30 anos sem ser campeã!” – praguejou. Este episódio aconteceu na véspera do Carnaval de 1974, quando a Portela apresentou o enredo “O mundo encantado de Pixinguinha” e perdeu o título para o Salgueiro por um ponto – justamente, no quesito Enredo (Hiram era o autor). Segundo o pesquisador, a “maldição” de Natal terminou no Carnaval de 2004. Mas, em 2005 a Portela só não foi rebaixada por um triz.

29 – Ranking Geral desde 1985

Confira no site oficial da Liesa a colocação e a pontuação das 29 escolas de Samba que participaram dos desfiles organizados pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

30 – O Raio X dos 21 desfiles organizados pela LIESA

  • Fundada em 23 de julho de 1984, A LIESA organiza os desfiles do Grupo Especial desde o Carnaval de 1985.
  • Nesses 21 carnavais, 29 Escolas de Samba tiveram o privilégio de participar do Maior e Melhor Espetáculo da Terra.
  • Dessas 29 Escolas de Samba apenas seis atuaram em todos os desfiles da Era Sambódromo. São elas: Beija-Flor de Nilópolis, Imperatriz Leopoldinense, Mocidade Independente de Padre Miguel, Estação Primeira de Mangueira, Acadêmicos do Salgueiro e Portela.
  • Dos desfiles administrados pela Liga Independente, a maior vencedora é a Imperatriz Leopoldinense, com seis títulos. Em seguida, vêm a Beija-Flor, a Mocidade e a Mangueira, com quatro campeonatos cada uma; e o Salgueiro com um.
  • Outras três agremiações também foram campeãs na Era LIESA: Viradouro, Vila Isabel e Estácio de Sá – esta última encontra-se no Grupo de Acesso, atualmente.
  • O Ranking LIESA computa os resultados dos últimos cinco carnavais. Porém, se reunisse as pontuações obtidas nos desfiles desde 1985, poucas alterações aconteceriam. A Beija-Flor continuaria apresentando a melhor performance, colocando 36 pontos de vantagem sobre a segunda colocada, a Imperatriz Leopoldinense. Mangueira, Mocidade e Salgueiro também se revezariam nas primeiras posições.
  • Das seis agremiações presentes em todos os desfiles organizados pela LIESA, apenas uma não conseguiu ser campeã: a Portela. Mesmo assim, a Águia continua sendo a maior vencedora da história do carnaval carioca, com 21 títulos.
  • O último título portelense aconteceu em 1984. Foi no desfile de inauguração do Sambódromo. Naquele ano, pela primeira vez, o espetáculo foi dividido em dois dias. A Portela foi proclamada vencedora do desfile de domingo e a Mangueira ganhou o de segunda-feira. Houve, então, um desfile tira-teima no Sábado das Campeãs, reunindo as três primeiras colocadas de domingo, as três primeiras de segunda-feira, a campeã e a vice-campeã do Grupo de Acesso. A Mangueira venceu e foi declarada supercampeã de 1984 – computando dois títulos (o de Segunda-Feira e o de Sábado das Campeãs) em sua galeria e a Portela um (o de Domingo).
Gostou das curiosidades sobre o Carnaval?

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