LAMPIÃO NO MUNDO DAS
CELEBRIDADES. (*Ancelmo Gois)
Na noite de 27 de março
(quinta-feira), às 19:30, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira
recebe o escritor sergipano Archimedes Marques para o lançamento do livro Lampião Contra o Mata Sete. O livro tem
reacendido a polêmica acerca da orientação sexual do lendário cangaceiro
nordestino.
O livro tem sido bastante
lido e comentado. Ancelmo Gois, colunista cultural de O Globo, escreveu
positivamente sobre a publicação, afirmando que “o autor Archimedes Marques
procura desmontar, pedra por pedra, o mito do Lampião Gay. Vale a pena
conferir”.
Lançamento
do livro Lampião Contra o Mata Sete,
de Archimedes Marques.
LOCAL:
Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira.
HORÁRIO:
19:30.
ENTRADA:
Gratuita.
Sobre o livro Lampião contra o Mata Sete
Octavio Iani( 1926/2004),
considerado um dos fundadores da sociologia no Brasil, tem um belo estudo sobre
tipos e mitos do pensamento brasileiro. Para ele, o Brasil pode ser visto ainda
como um país, uma sociedade nacional, uma nação ou um Estado-não nação em busca
de um conceito. É neste processo de buscar uma cara que florescem as figuras e
as figurações, os mitos e as mitificações de "Lampião", "Padre
Cícero", "Antonio Conselheiro", "Tiradentes",
"Zumbi" e outros, reais e imaginários.
No caso de Tiradentes, nosso
herói maior, a propaganda republicana, na ausência de um retrato feito por
alguém que realmente o tivesse conhecido pessoalmente, o pintou como Cristo. Aquelas
barbas podem ser pura imaginação do retratista, já que naquela época, como em
alguns lugares hoje, preso não podia deixar crescer barba ou cabelo por causa
dos piolhos.
Com Lampião, o processo de
mitificação é interminável. Afinal, ele é filho famoso de uma terra de cantadores
de feira e de cordelistas, onde a imaginação, e não só talento, também corre
solta. Tanto que nas últimas décadas muitos tentaram promover a transposição da
imagem de Lampião de "facínora"
para uma espécie de versão tupiniquim do "Bandido Giuliano", o
fora da lei que virou herói siciliano na
primeira metade do século XX e que foi
retrato nas telas no clássico de
Francesco Rosi.
Acho ainda que Lampião, como
ocorre com muitos outros personagens da nossa história, está sendo redescoberto
pela ótica do culto da invasão da privacidade, uma das marcas dos tempos
atuais. Em suas covas, mesmo enterrados há 50, 100, 200 anos, eles não
conseguiram escapar de um mundo que se transformou numa Big Brother. Viraram
"Celebridades", e portanto sujeitos a bisbilhotices, ou fofocas
mesmo, sobre seus afetos, romances e até opção sexual. Talvez seja por isso que
surgem agora questionamentos sobre a sexualidade "Zumbi" e mais recentemente de "Lampião" com
o livro LAMPIÃO O MATA SETE.
No livro opositor, LAMPIÃO CONTRA
O MATA SETE, o autor Archimedes Marques procura desmontar, pedra por pedra, o
mito do Lampião gay. Vale a pena conferir.
Fonte: Assessoria do Mac Feira


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