Vista aérea de Feira
de Santana. (Foto: Carlos Augusto, Jornal Grande Bahia)
O movimento ‘Cidade para Todos’
encaminhou ‘Carta Aberta’ para a redação do Jornal Grande Bahia no dia 30 de
outubro de 2013, com objetivo de protestar e requerer direitos sociais.
Representando o movimento, Luciene Oliveira pede que o sistema de
sonorização para pessoas com deficiência visual não apenas seja implantando nas
sinaleiras, como indicado na publicação da Prefeitura Municipal de Feira de
Santana através do edital nº 141/2013, mas em todo o sistema.
“Lamentamos constatar que apesar da
presença desse dispositivo nos semáforos ser obrigatória em virtude da
Legislação Federal composta pelo Art. 9º da Lei 10.098/00 e pelo Art. 17
do Decreto 5.296/04, a maioria das cidades brasileiras ignora essa
obrigatoriedade.”, explica.
O movimento ‘Cidade
para Todos’ é constituído por pessoas com e sem deficiência, cidadãos brasileiros,
que atuam na iniciativa privada, no serviço público, na educação, nas
artes, como autônomos, profissionais liberais, estudantes. O movimento
nasceu em São Paulo e hoje está presente em diversos municípios, atuando no
sentido de garantir a plena inclusão e acessibilidade às pessoas com
deficiência a todo tipo de bens, produtos e serviços oferecidos.
Confira o teor da nota do movimento
‘Cidade para Todos’
Feira de Santana (BA), 30 de outubro de
2013.
Carta Aberta
Prefeitura Municipal de Feira de
Santana/BA, na pessoa do
Excelentíssimo Prefeito, JOSÉ RONALDO
DE CARVALHO;
Ao Ilmo. Secretário de Transporte e
Trânsito, EBENZER NOEL DA SILVA;
Ao Ilmo. Superintendente de Trânsito,
FRANCISCO A. BRITO JUNIOR;
Aos Demais Secretários e autoridades
municipais;
Imprensa local;
Sociedade feirense em geral.
Prezados senhores
O Movimento Cidade para Todos,
constituído por pessoas com e sem deficiência, cidadãos brasileiros, que
atuam na iniciativa privada, no serviço público, na educação, nas artes,
como autônomos, profissionais liberais, estudantes, entre outros,
movimento que nasceu em São Paulo e hoje está presente em diversos
municípios atuando no sentido de garantir a plena inclusão e
acessibilidade às pessoas com deficiência a todo tipo de bens, produtos e
serviços oferecidos em sociedade, vem mui respeitosamente solicitar o
obséquio da atenção das autoridades públicas de Feira de Santana para o
que vimos a expor.
Uma vez que o grupo social de pessoas
com deficiência visual ao qual pertencemos é invariavelmente ignorado e
esquecido quando da formulação de políticas públicas e projetos de
melhoria da qualidade de vida nas cidades, nos organizamos para apontar
este esquecimento, essa invisibilidade, para cobrarmos nosso espaço, nosso
legítimo direito de ir e vir, além de fiscalizarmos o cumprimento da
legislação que já existe e lutarmos pela criação de leis das quais ainda
precisamos para a garantia plena de nossa cidadania.
Nesse sentido,
verificamos que no edital de licitação pública de número 141/2013, que se
destina à aquisição de semáforos para controle de trânsito do Município de
Feira de Santana, especificamente na folha 14 do mesmo, consta a exigência
de dispositivo para auxílio da travessia de pessoas com deficiência visual
descrito da seguinte maneira: BOTOEIRA INTELIGENTE COM SINAL
SONORO COM PLACA DE LEITURA EM BRAILLE.
Lamentamos constatar que apesar da presença
desse dispositivo nos semáforos ser obrigatória em virtude da Legislação
Federal composta pelo Art. 9º da Lei 10.098/00 e pelo Art. 17 do Decreto
5.296/04, a maioria das cidades brasileiras ignora essa obrigatoriedade.
No entanto, a Prefeitura de Feira de Santana cumpriu sua obrigação não se
esquecendo disso e, assim, vimos publicamente congratulá-la.
Todavia, nos preocupa a forma pela qual
isto será concretizado e nossa inquietude recai particularmente sobre o
termo a botoeira , uma vez que esse tipo de apresentação de dispositivo se
revelará tão inacessível quanto a ausência do mesmo e justificamos nossa
descrença destacando tais pontos fundamentais:
1. A fartura de postes em nossas
calçadas. São inúmeros deles sustentando a iluminação e sinalização
públicas, o próprio semáforo, entre outros, presentes nas esquinas de ruas
e avenidas. Assim sendo, uma pessoa que não enxerga, ao se aproximar do
cruzamento, dificilmente localizará esta botoeira;
2. O Vandalismo. a
destrutividade de sujeitos que sistematicamente danificam equipamentos e
mobiliários públicos em nossas cidades. Isso faz com que os quipamentos
estejam constantemente danificados e, uma vez ocorrido com uma botoeira
como a pretendida, anularia esta ótima iniciativa de inclusão da prefeitura
de Feira de Santana;
3. A falta de higiêne e
educação. Comportamento reprovà¡vel de sujeitos que acabam emporcalhando
as cidades das mais diversas maneiras, impedindo que a pessoa cega possa
tatear esse tipo de superfície sem o risco de sujar-se com um simples
chiclete colado ou com a presença de sujeira de toda espécie.
São apenas três destaques, mas que
julgamos suficientes para demonstrar a impropriedade de qualquer tipo de
botoeira, aliás, que já foi bastante utilizada no passado para sinalização
de travessia de pedestres, mas que foi sendo descontinuada em virtude
daquilo que destacamos e que sempre elevou sobremaneira os custos com
manutenção, limpeza, reparos etc.
Assim, sem sabermos em qual modelo os
técnicos de Feira de Santana se basearam para propor tal botoeira que se
pretende implantar em Feira de Santana, mas cientes de que este modelo não
será o ideal, lembramos que existem outros bons exemplos no mundo, como
nas cidades de Madrid, Buenos Aires e Nova Iorque, os quais proporcionam
verdadeira autonomia e segurança aos cidadãos com deficiência visual na
travessia de vias públicas.
Estes modelos que defendemos valem-se
de dispositivos que estão invisíveis e integrados ao próprio equipamento
que sinaliza a travessia de pedestres, emitindo sons suaves e agradáveis
que não incomodam outros transeuntes, como som de pássaros. Ressaltamos
que o dispositivo ressoa automaticamente quando o semáforo abre para os
pedestres, aumenta a velocidade de emissão do som quando o sinal está prestes
a findar o tempo de travessia e silencia quando o semáforo está fechado.
Podemos afirmar que este é um modelo
verdadeiramente inclusivo, pois proporciona ao usuário com deficiência
visual a mesma condição de usabilidade que é proporcionada a qualquer
outro usuário, ou seja, agilidade, segurança, conforto e nenhum outro
trabalho a não ser o de esperar o sinal abrir para sua travessia.
Ademais, o dispositivo sonoro presente
nos semáforos respeita a condição da pessoa cega e também beneficia
pessoas com baixa visão, idosas ou daltônicas, por exemplo, que também
possuem dificuldade de enxergar ou discernir as cores da sinalização
visual, pois ele estará condizente com os princípios do Desenho Universal.
Portanto, face a esta constatação que
nos anima, mas também preocupa, nos colocamos à disposição da Prefeitura
de Feira de Santana para podermos contribuir na busca pelo melhor sistema
de semáforo sonoro, que proporcione autonomia e independência às pessoas
com deficiência visual em seu direito inalienável de ir e vir pelas calçadas
desta cidade, cruzando ruas e avenidas com mais segurança.
Atenciosamente
Movimento Cidade para Todos.
cidade_para_todos@yahoo.com.br
Fonte: Jornal
Grande Bahia.


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