21 de mar de 2016

Lucas da Feira e Micareta

E se ele estivesse vivo?

Rezam as lendas que Lucas da Feira nasceu em Feira de Santana. Mas não é lenda. Lucas Evangelista, nascido em 18 de outubro de 1807, foi um cangaceiro, filho de escravos. Provindo da fazenda Saco do Limão, o que hoje conhecemos por Pedra do Descanso.

Um Robin Hood meio sertanejo, Lucas juntou-se a um bando em meados do ano de 1828. Foi preso em 1848, alvejado com um tiro no braço. A princípio o garoto chegou a pertencer ao domínio de um padre. José Alves Franco era o nome do pároco.

Quantos atos esse personagem histórico fez. Assim como os justiceiros do sertão, foram muitos os seus feitos, embrenhado pelas matas da cidade natalícia. Junto com Flaviano, Nicolau, Bernadino, José e Joaquim, as condutas foram inúmeras. Fazer justiça levou ao fim praticamente certo de quem se mete a resolver com as próprias mãos o que enxerga errado de forma 100% radical.

Em plena época festiva, prestes a comemorarmos a 1ª Micareta do Brasil, ponho a me pensar nesse cidadão. O que ele faria no século XXI? Assaltaria as casas de show? Formaria uma quadrilha de invasão aos blocos? Desestruturaria os camarotes? Invadiria os órgãos públicos? Intimidaria a Câmara de Vereadores ou a Prefeitura e suas ligações?

Lucas foi um desertor que passou despercebido. Quantos ouviram falar nele? Em 2010 houve um projeto para homenageá-lo, para que fosse nomeada uma rua com seu nome. Porém este foi vetado. Existem imagens negativas do então personagem. Mas há tanta ladroagem em outras searas e homenagens são feitas.

O argumento é que não se podem esquecer os assaltos que ele cometeu aos moradores. Em suma, fica aqui o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”. Não sou a favor de nenhum tipo de violência, muito menos corrupção. Mas de uma boa história bem contada, disso sou fã.

Se para alguns historiadores Lucas lutou contra a escravidão, estilo Zumbi dos Palmares, para outros atribuem tudo a sua vida criminosa. A moral é que ele formou um dos primeiros grupos considerados como cangaço. A reflexão é quais tipos de exemplos demarcam a história brasileira, baiana, feirense.

O entretenimento merece todo o respeito. A população merece um tratamento digno. Para não dizer que fica a máxima. Deixo uma mínima frase e fico aqui a pensar sobre o próximo texto micaretesco.


Por Laísa Melo.

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