Por Karine Pansa (artigo)
Os resultados do cadastramento das empresas para a adesão ao
Vale-Cultura, iniciado há pouco mais de dois meses, têm apontado que o programa
será um sucesso em todo o Brasil. Deverá constituir-se avanço relevante para a
disseminação do conhecimento a partir do ano novo. Vai-se materializando, dessa
maneira, o propósito de ampliar o acesso da população à informação, à
literatura, a notícias, filmes, arte e teatro, fator com impacto positivo
direto na qualidade da vida e até mesmo em outros indicadores sociais. Afinal,
povo mais educado cuida melhor da saúde, valoriza o ensino, repudia a
violência, a discriminação e a intolerância, trabalha com mais produtividade e
tem mais consciência ambiental, cívica e política.
Essas são razões mais do que suficientes para evidenciar o
significado do programa, a cargo do Ministério da Cultura. Trata-se de
iniciativa que possibilitará aos trabalhadores com renda mensal de até cinco
salários mínimos melhores condições de comprar mais livros, CDs, filmes e
vídeos e de frequentar mais cinemas, teatros, espetáculos de música e dança.
Somente no primeiro ano de execução, se for mantido o ritmo atual de
credenciamento de beneficiários, um milhão de pessoas deverão ser contempladas,
com impacto bastante significativo na indústria cultural.
No caso do mercado editorial, por exemplo, se cada indivíduo
inicialmente beneficiado comprar um livro por mês, serão 12 milhões de
exemplares anuais. Esse movimento significa quase 5% dos 268,56 milhões
vendidos em 2012 nas livrarias e outros canais de comercialização direta ao
público final, conforme as estatísticas da última pesquisa sobre produção e
vendas (referente ao desempenho setorial em 2012), realizada pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para a Câmara Brasileira do Livro
(CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).
Os R$ 50 mensais a serem destinados a cada contemplado com o
Vale-Cultura viabilizarão sensível ampliação do consumo de livros, inclusive os
técnicos e científicos, que contribuem para a melhor qualificação profissional
e desenvolvimento das carreiras. Se levarmos em conta o cumprimento da meta
final do programa, de abranger 42 milhões de pessoas em todo o país, um livro
por mês por trabalhador significaria 42 milhões de exemplares mensais, ou 504
milhões por ano. Esse volume representa 87,66% a mais do que todos os livros
vendidos no Brasil em 2012. Ou seja, o impacto no mercado editorial será muito
grande. São raríssimos os setores de atividade, em todo o mundo, que têm a
possibilidade de crescer cerca de 80% em espaço tão curto de tempo.
Os números permitem dimensionar de modo mais evidente o
alcance do novo programa como indutor do conhecimento. Agora, cabe ao mercado
editorial cativar a expressiva parcela do público consumidor que passa a
receber recursos específicos para a compra de itens da indústria cultural. Será
muito importante a proatividade em termos de marketing, divulgação e estímulo ao
hábito da leitura para que a projeção de crescimento da demanda atrelado ao
Vale-Cultura se transforme, de fato, em expansão concreta da produção e
comercialização de livros no Brasil.
Na esteira do processo de ascensão socioeconômica da
população brasileira nos últimos 10 anos, o novo programa cumpre a missão
complementar de impulsionar a inclusão cultural, tão relevante quanto
prioridades como saúde, escolaridade e mobilidade. A Cultura é pressuposto
essencial da democracia, pois é condição indispensável para o exercício pleno
da cidadania. O Vale-Cultura, portanto, está no caminho certo, pois contribuir
para que a sociedade se aproprie do patrimônio do conhecimento é dever crucial
do Estado.
Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)
Fonte: artigo publicado no Jornal do Commercio - RJ.
Edição: Ascom/MinC
Fonte: MinC


0 Comentários
Comente aqui